domingo, abril 05, 2009

Blog como porta de acesso


Na terça-feira, dia 31 de março, o Jornal da Tarde, de São Paulo, publicou uma matéria no caderno variedades muito interessante para contribuir nas discussões da matéria de IMD3 (Internet e Mídia Digital). Editoras estão selecionando blogueiros para publicar os posts em livros. O mercado está crescendo e já existe, embora pequena, uma editora especializada.O título era ‘Para blogueiros, papel não é coisa do passado’. Fazendo uma análise, penso que a internet não substitui a mídia impressa, mas a completa. Que há uma rede de informação por meio dos blogs é claro. A novidade está na necessidade de materializar o conteúdo virtual.


Considero que o fenômeno se deve a pouca democratização do acesso ao meio e o alto índice de ‘analfabetismo digital’, que também pode ser ‘analfabetismo digital funcional’. Explico. Para uma pessoa que não tenho acesso freqüente a rede de computadores e assim não consegue acompanhar um ‘diário digital’, ler um livro, no ponto de ônibus, no metrô, na praça ou no intervalo, fica muito mais fácil. Já para aqueles que dominam em parte a tecnologia, utilizando-a apenas para sites de relacionamentos e software de mensagens instantâneas, usar ferramentas de busca para encontrar blogs ou gerenciá-los de forma profissional torna-se distante.


Na matéria, a qual disponibilizo o link aqui, têm histórias de autores que foram encontrados na rede. O critério para a escolha não é o número de acessos, mas o conteúdo. O box da página, explica que as editoras também procuram bons autores para livros, através da internet.
(Crédito da imagem: www.photobucket.com/album)

Velho guerreiro de São José

Deixo aqui um perfil do editor chefe do Jornal de Barreiros, para o qual faremos um encarte no Trabalho interdisciplinar (TI), neste semestre.

Os 75 anos e os cabelos brancos de Orestes Araújo dão credibilidade ao trabalho desenvolvido por este fotógrafo aposentado, que desde 1991, é editor chefe do Jornal de Barreiros, do qual tem orgulho de ser fundador. Apaixonado pela história da região, ele também é um conhecedor dos seus limites geográficos. Nascido em Garopaba, no sul do Estado, ele mudou-se em 1958 para o bairro.

Sua profissão é jornalista, porém conseguiu o registro profissional na condição de provisionado. O tablóide mensal de 8 mil cópias, começou totalmente em preto e branco, com 12 páginas. Hoje, possui quatro páginas coloridas entre as 16 da publicação, divididas por editorias aleatórias. Orestes acredita fazer o que consegue e não o que deseja. “É um feijão com arroz”, classifica.
“Já resgatamos muito da história de São José e do Distrito de Barreiros”, afirma sobre o papel da publicação. O jornal acompanhou o crescimento da população, a redução de empresas e a ampliação dos bairros. Sobre os avanços da Beira Mar Continental, ele brinca “o bairro não olha para o mar. Prefere a rodovia e os carros”.

Sua equipe atual é composta por três funcionários, entre repórter, secretária e editora. A distribuição dos exemplares é feita em três dias. Porém, confessa que já pensou em fechar o Jornal. “Acabo por receber incentivo dos leitores. Tem alguns que colecionam as edições. Isso me faz continuar”, explica.

quarta-feira, março 04, 2009

Prefeitura e Câmara de Vereadores de Florianópolis impõem modificações no Saco Grande contra Plano Diretor Participativo

A qualquer momento entra na pauta de votação da Câmara de Vereadores da Capital o Projeto de Lei Complementar (PLC) nº 948/2007, que altera a classificação do bairro Saco Grande - área leste - de Área Mista Central, que permite construções de até dois andares, para Área Comunitária Institucional. A mudança autorizará prédios de até 12 pavimentos, viabilizando a intenção de construção do anexo do Centro Administrativo do Estado. Após o pedido de audiência pública, solicitado pelo vereador Ricardo Camargo Vieira (PCdoB), ter sido negado, pela terceira vez em plenário, dia 17 de fevereiro, aguardam-se os procedimentos do presidente do Legislativo, vereador Gean Marques Loureiro (PSDB). O Projeto foi encaminhado à Câmara pelo prefeito Dário Elias Berger, em dezembro de 2007, e pretende alterar a Lei Complementar nº 001/97, além de ir contra o Plano Diretor Participativo vigente no bairro.

O Governo do Estado pretende construir duas torres, que podem chegar a 17 andares, com cerca de 52 mil metros quadrados de área ocupada. Segundo o vereador que propôs o pedido da audiência pública, o projeto não prioriza a participação da comunidade. “Essa construção é um tapa na cara dos moradores”, critica. Vieira explica que a rotina do bairro será alterada com a presença de aproximadamente 5 mil servidores estaduais. “O impacto será muito grande”, supõe.

Desde 2007, o processo já foi analisado por diversos órgãos tanto do Executivo quanto de Legislativo. A Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) deixou claro em seu relatório que o sistema de abastecimento d’água do bairro “está no limite de atendimento”, assim como o sistema de esgoto que “está disponível apenas para atender a demanda atual do Centro Administrativo”. Do ponto de vista ambiental, o Instituto Chico Mendes de Conservação Ambiental, ligado ao Ministério do Meio Ambiente, é contrário ao Projeto. Manifestação que desapareceu no parecer do relator da peça, vereador João da Bega Itamar da Silveira (PMDB). Favorável à tramitação, ele sustenta que “ambientalmente, não existe posicionamento contrário”.

“A comunidade não é contra o projeto. Ela quer estudar os impactos que ele vai causar no seu dia-a-dia”, esclarece o vereador Ricardo, exemplificando com as alterações que deverão ser feitas em estradas, rede elétrica e de telecomunicações e creches. “Queremos apenas ampliar essa discussão”, completa. Eleonora Cristina Kaczur, membro do Fórum Social do Saco Grande, destaca que muitos pontos do Projeto são obscuros para comunidade. “Faltam maiores esclarecimentos”, cobra. Em setembro de 2008 foi realizada uma audiência pública para debater o tema, no Plenarinho da Câmara. Além de não ter ocorrido no bairro, foi marcada às 15h, impossibilitando a participação de muitos moradores que estão em horário de trabalho. Foram registradas, pela secretaria da comissão, 34 presenças, que, na grande maioria, são funcionários da casa e representantes de outros órgãos oficiais.

A primeira votação, e aprovação, do PLC foi na sessão extraordinária de 26 de janeiro, período considerado inapropriado pelo Regimento Interno da Câmara, que prevê no artigo 192B, que matérias consideradas como alterações no Plano Diretor e no zoneamento devem ser votadas nos meses de novembro e março. Também no Regimento, está previsto que são necessárias duas votações para projetos com essa classificação, o que deve ser feito em breve. Quando aprovado na Casa Legislativa será encaminhado para sanção do prefeito, que, segundo o vereador Ricardo, deveria sensibilizar-se pela causa. “O que achamos difícil”, prevê.
O Fórum Social do bairro convocou para o dia 19 de março às 19h30, no Salão da Igreja Matriz, nova audiência pública, que além de debater o PLC, vai organizar um relatório para o Ministério Público Federal e Estadual. “Se for preciso entraremos, também, com uma Ação Civil Pública”, garante Eleonora.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Pouca estrutura e muita naturalidade

Um carcereiro, um estagiário, uma escrivã e três investigadores. A noite parece começar tranquila na Central de Polícia de São José. Paredes brancas, muitas portas e no canto um vaso de comigo-ninguém-pode. São 39 presos divididos em três celas com capacidade máxima para duas pessoas cada. Mesmo diante das últimas fugas no Estado, o clima é de naturalidade com a rotina do órgão.

O delegado de plantão saiu, para resolver assuntos pessoais, sem hora para voltar. Assim como o outro carcereiro. No atendimento, ficou o estagiário, do curso de Direito, que se mostra complacente com o que vê. Bruno Cypriano tem histórico familiar no serviço policial o que aponta como a maior influência por estar ali. Sorrindo sempre e fazendo muitas brincadeiras, ele planeja seguir carreira na área. O próximo concurso é para agente prisional. “Ser agente é bom, porque bate nos presos lá dentro”, define.

Ao abrir a porta que dá acesso às celas, o silêncio reina por segundos, até os primeiros olhares. O ambiente úmido e abafado é tomado por frases soltas. Ora de piadas, acompanhadas de murmúrio e risos, ora de denúncias. “Estou preso porque roubei um passe’, grita um. “Aqui tem até ladrão de Coca-Cola”, exclama o outro. “Já paguei a fiança e ainda estou aqui. Não sei o que estão fazendo na cadeira lá”, protesta o terceiro. “Nossos colchões estão todos molhados”, reclama o último. Porém, todos consideram o saldo do dia positivo, já que ganharam cobertores novos.

A prata da casa é o preso conhecido por `Regalia`. Seu nome, seu crime e sua pena não foram divulgados pelo carcereiro por sigilo. Sua rotina é lavar viaturas, comprar cigarros para funcionários e outros serviços. Atualmente está em regime semiaberto, é recolhido todos os dias ás 18h.